Últimas Postagens

7 de março de 2017

Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt





Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt.

Heloooooo, gente linda da tia Mai. Demorou, mas está saindo um post/resenha/opinião/crítica do Livro Princesa de Papel da autora Erin Watt.

Pra quem tem me acompanhado sabem que sou Feminista e a pouco me tornei ativista da causa, lutando pela igualdade, pelo espaço da mulher, contra a violência e o abuso físico, psicológico e emocional. Há um tempinho tenho lutado contra a romantização de relacionamentos abusivos no mundo literário. Histórias que abordam temas fortes onde a mocinha é abusada, incontáveis vezes, pelo “mocinho” e as autoras tentam justificar os atos do “mocinho” como se fosse amor.

Aqui nesse link você vai poder ver um pouco sobre o último post que fiz explicando o que é abuso.

Antes de entrar em detalhes sobre o Livro da Erin, gostaria de explicar o que é Abuso Sexual de Vulnerável, e como isso é configurado na Lei Brasileira. Lê aí:

“É uma violação dos direitos sexuais, que se traduz pelo abuso e/ou exploração do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes – seja pela força ou outra forma de coerção – , ao envolver meninas e meninos em atividades sexuais impróprias para sua idade cronológica ou a seu desenvolvimento físico, psicológico e social.”

(Lei mais em: Carinho de Verdade )

Segundo a lei Brasileira:

“O §1o do artigo 217 que também é estupro de vulnerável fazer qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc, seja entre heterossexuais ou homossexuais, masculinos ou femininos) “com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

Logo:

“Por fim, e esse é o ponto pertinente à matéria acima, a lei diz que é estupro de vulnerável fazer sexo com quem “por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”. Como com os enfermos, aqui a lei não faz uma lista dos casos possíveis, mas ela diz ao magistrado que ele deve condenar sempre que alguém não está sob controle de suas faculdade mentais, físicas ou emocionais. E alguém que está alcoolizado (ou drogado) certamente não está sob controle de suas faculdade mentais. Para deixar claro: fazer sexo com alguém bêbado (ou drogado) é estupro. Qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc). Essas pessoas, segundo a lei, não sabem o que estão fazendo. Reparem que o suspeito, na matéria acima, diz que a sua vítima consentiu. Isso não importa. Não funciona como defesa porque ela estava embriagada e é o mesmo caso do menor de 14 anos ou do deficiente mental: eles não têm capacidade de consentir. Estão vulneráveis.”



Mai, porque toda essa explicação antes da resenha?

Você verá logo a baixo querido, mas antes de falar sobre o livro, vamos pra sinopse:

“O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo."

Ella Haper é aquele tipo de mocinha – pobre coitada – que perdeu a mãe e não tem dinheiro, e blá, blá, blá. Ai, um dia, magicamente – não, não é feitiço do Harry Potter não – um homem, o Callum Royal – vulgo, pai babaca que deixa os degenerados dos filhos fazerem o que quiserem porque se sente culpado – aparece e salva a Princesa indefesa e leva pro castelo. Aquela baboseira adolescente que todo mundo gosta. A mocinha sozinha, salva pelo macho.

Enfim. Quando ela chega na mansão dos Royal – que sobrenome sem graça – os filhos do Callum não gostam dela. Simples. Porque são mimados, infantis e não tem controle nenhum. Inclusive a construção dos personagens é bem meia-boca. A única coisa que sei é que todos são, aparentemente, bonitos e sarados – homens e mulheres. Como se o livro inteiro fosse um comercial de margarina, da família tradicional brasileira ~irônia mode on hahahahah~.

Os filhos do Callum implicam com a Ella o tempo todo, e durante todo o livro fazem conotações sexuais para ela. Inclusive, em determinada parte do livro, um dos moleques põe a mão no pênis e oferece pra ela chupar com um gesto, totalmente escroto, eu me senti assediada, sério. E pasmem, o episódio passa batido, e a Ella ainda dá uns beijos nesse babaca – claro pra provocar o Reed, por quem ela sente uma atração incontrolável.

Uns 85% do livro, os Royal passam fazendo bulling com a garota e a humilhando, de forma bem escrota e nojenta. A escrita da Erin é bem envolvente, os capítulos te fazem querer ler mais, mas o que eu senti foi apenas nojo por tanta escrotice.

Como se não bastasse, o pai dos moleques, é bem babaca. Eles vão em um passeio de barco e o cara come a namorada na frente dos filhos, tanto é que os pirralho escutam os gemidos e tals. É uma cena bem ridícula, sinceramente.

Durante o livro a Erin tenta justificar as atitudes da família Royal como consequência da morte da mãe deles, mas sinceramente? Não convenceu nenhum pouco. Ficou rasa a explicação, tipo “Ok, preciso justificar eles serem um babacas abusadores”.

Porque sim eles são abusadores, porque bulling é abuso psicológico e emocional. Beijos da autora que foi humilhada no ensino fundamental e médio e hoje tem que tratar depressão, ansiedade, transtorno e crises de pânico.

Antes deu chegar no ápice do livro, deixa eu dar um spoiler: os gêmeos – que não lembro o nome, porque me neguei a decorar – dividem a mesma namorada. Pelo que entendi são Gêmeos Idênticos, bem fácil de ser confundido, e a menina não sabe que eles trocam, fica bem claro no Livro. Tanto é que um deles pede pra Ella não contar pra menina, e ela não conta, acha legal a menina passar por isso.

Agora a cereja do bolo é a seguinte, o que vai fazer vocês entenderem o porque postei aquelas explicações sobre abuso de vulnerável: o Reed, o cara por quem a Ella se apaixonou, supostamente, fez o que fez porque também a amava – porque claro, humilhação é prova de amor. Um dia eles vão pra uma festa e a Ella é drogada com droga injetável, o cara que ela tá saindo faz isso. E como resultado disso ela fica com “tesão” e alguém precisa aliviar ela. Claro, que o Príncipe Herói da história sai correndo e vai fazer sexo oral na mocinha, ou como gostam de escrever nos livros “Chupar a Boceta” da menina, porque ela tá com vontade e só foi drogada e sabe o que tá fazendo.

Gente, se bêbado não sabe o que faz, imagina uma pessoa com droga injetável na corrente sanguínea?
E PASMEM no outro dia o Reed ainda tem a cara de pau de perguntar pra Ella se ela não se sentiu usada! PUTA QUE ME PARIU!

A menina estava D R O G A D A, não conseguia nem ficar em pé e pronunciar uma palavra direito. Vocês já ficaram bêbados? Eu já fiz essa burrice de ficar mal até cair, eu não conseguia caminhar sem sentir minha cabeça pesando, imagina D R O G A D A?

Ella foi E S T U P R A D A e o estuprador teve a cara de pau de perguntar se ela não se sentiu “usada”. A garota não devia nem saber o próprio nome. O que também foi escrito bem meia-boca pela autora, que provavelmente não pesquisou pra saber as reações da droga no corpo do ser humano. Incompetência. A pesquisa é primordial para descrições de casos clínicos.

O pior é a romantização de tudo isso, como se o Reed tivesse direito de fazer o que fez. Pra piorar a situação o cara traí a guria com a madrasta, o que provavelmente será falado, e justificado, no próximo livro.

Então caro leitor, se você leu o livro e acha que há justificativas para as atitudes escrotas dos Royal com a Ella, sugiro que procure ler mais sobre Violência Sexual, a Constituição e pesquisar em que tipos de situações estamos vulneráveis.

Você quer escrever sobre Estupro? Abuso? Violência? ESCREVA. Mas, pelo amor de Deus, tenha o mínimo de bom senso de mostrar ao seu leitor que ele não pode sofrer essas coisas e achar que tudo bem. Violência, seja qual for, NÃO É PROVA DE AMOR. É escroto, é nojento, é violento é errado. Você é responsável SIM, pelo que escreve, assim como as editoras são responsáveis pelo que publicam! Temos o dever de mostrar pra mulheres e homens, que nos leem, que isso não é amor, é doença, é sádico.


Beijos, beijos...da Mai.

3 comentários:

  1. É incrivel como existe pessoas que gostam de romantizar abuso,pior de tudo são os responsáveis por publicar algo tão escroto como isso...

    ResponderExcluir
  2. Pra ser sincera,eu Amei o livro, essa parte foi uma das cenas "quentes" do livro, mais eu percebi que no dia seguinte, quando a Ella não estava mais drogada ela disse que com sinceridade pro Reed que NÃO achou que ele estava "usada". Então, a única parte que eu achei que ela foi estrupada foi com o Daniel aquile filho da puta! Amo esse livro! E concerteza eu não usaria a palavra "Estrupador" pra descrever o Reed, como a protagonista diz no livro e eu concordo totalmente, é que a palavra exata pra descrever o Reed é: "Sexy". Mais gosto não se discute né?!
    Boa noite!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Anônimo, que pena que não se identificou, adoro um bom debate.
      Na verdade, a Erin errou na cena em que a Ella disse não se sentir estuprada, pois uma pessoa com droga na corrente sanguinea não consegue raciocinar e se torna vulneravél, como citei acima e rege na constituição. Ella dizer que não foi estuprada foi apenas um jeito que a autora tentou justificar o estupro, que pena que nem todos realmente leram o que escrevi né?
      Beijos

      Excluir