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9 de fevereiro de 2017

Precisamos falar sobre a Romantização do Abuso.




Precisamos falar sobre a Romantização do Abuso.

Abuso
substantivo masculino
1. uso incorreto ou ilegítimo; abusão, excesso.
2. uso excessivo ou imoderado de poderes.

O que são pessoas abusivas:
Pessoas abusivas são freqüentemente, elas mesmas, sobreviventes de abuso. O comportamento abusivo pode variar desde o abuso emocional, verbal, até o físico e sexual. Freqüentemente uma pessoa abusiva emocionalmente é também abusiva verbalmente ou uma combinação de todos os tipos acima.

Conceito de abuso:
Abuso é a ação e o efeito de abusar. Este verbo significa fazer um uso incorreto, excessivo, injusto, impróprio ou indevido de algo ou de alguém.
Com origem no latim abūsus, a noção de abuso pode ser aplicada de diferentes maneiras para formar diversos conceitos.
O abuso da autoridade: é aquele que é cometido por um superior quando se excede no exercício de atribuições para com um subordinado.
O abuso da força: tem lugar quando uma força de segurança, como a polícia, recorre à violência excessiva na hora de pôr em prática as suas tarefas. Este termo está associado ao abuso de superioridade.
O abuso de confiança: é uma infidelidade que realiza alguém contra uma pessoa que, por descuido, inexperiência ou carinho, tenha dado crédito ao abusador.
O abuso de direito: é o exercício de um direito é realizado de forma contrária à da sua própria finalidade e que acarreta prejuízos alheios.
O abuso sexual: é um delito que consiste num atentado contra a liberdade sexual de uma pessoa, que não dá o seu consentimento para a prática. Quando usada sozinha, a palavra “abuso” costuma referir-se ao trato desonesto dado a uma pessoa com menor poder, força ou experiência. Por exemplo: “Foi condenado a quatro anos de cadeia por ter abusado de um menor de idade”.

Para entender melhor sobre Abuso, citei acima significados da palavra e o conceito que engloba não apenas a palavra abuso, mas as ações que transformam a palavra em realidade.
Em um mundo onde Literatura está ganhando mais força vemos todos os dias surgirem mais e mais livros de diversos conteúdos, e autores de todos os tipos e gostos. Porém, o que vem ganhando força e dominado o setor Literário, com certeza, são os livros com teor erótico. Após o lançamento de Cinqüenta Tons de Cinza houve um estouro de livros do gênero. Mas, o artigo de hoje não é pra falar sobre livros eróticos, hoje nos vamos falar sobre relacionamentos abusivos e a romantização do mesmo em diversas histórias que estão caindo no gosto do Público e ganhando as prateleiras desse país.
Eu como autora e hoje empresaria do meio literário tenho como dever ler. Ler e observar o que está sendo consumido pelo mercado, e numa dessas leituras comecei a me deparar com autoras, nacionais e internacionais, que romantizam de forma nojenta – sim nojenta – o abuso do homem com a mulher, e a submissão forçada em que ela é submetida. Seja abuso físico, psicológico ou emocional.
Antes de citar a minha lista de livros que tem esse teor, gostaria de afirmar que não é uma critica a integridade ou ao caráter das autoras, mas sim um critica sobre o teor de suas obras e promoção feita pelas editoras.
Toda a autora, seja ela um best-seller ou não, tem uma grande importância em influenciar seus leitores. São formadoras de opinião sim e tem responsabilidade total por aquilo que escrevem assim como as editoras tem responsabilidade sobre aquilo que publicam.
Vivemos hoje em um mundo onde conceitos estão sendo desconstruídos, onde mulheres são vitimas todo o dia de violência, onde a luta feminista vem ganhando força na busca de proteger e garantir direitos básicos as mulheres, onde a objetificação do corpo da mulher não está sendo mais aceita, onde as manas estão nas ruas pra gritar que não vão mais suportar serem violentadas, abusadas e mortas.
Eu, Mai, autora, empresaria, blogueira, ativista, feminista e formadora de opinião não vou aceitar que o mundo Literário, do qual eu vivo e tiro o sustento, permita que a mulher seja abusada, onde Editoras publiquem e enalteçam obras onde o homem trata a mulher como lixo. Eu to cansada. Eu não vou me calar.

Leituras com romantização de relacionamentos abusivos:

Doce Prisão, Jas Silva – Editora Astral.
Autora Nacional, best-seller da Amazon. Estava na lista de mais vendidos entre Novembro e Dezembro de 2016.
O protagonista Marcos é um abusador. Abusa emocionalmente e psicologicamente das irmãs e da Rachel, ex secretária que ele obriga a ficar com ele para manter o pai dela vivo. Onde ele abusa sexualmente dela. Ela diz “NÃO” e ele insiste em transar com ela em diversas vezes no livro. Caça ela pelo país até acha-la. Subjulga, humilha, acusa e abusa dela durante todo o livro. A personagem quase morre de tanto stress. Durante toda a leitura a autora tentou justificar o abuso como um ato de amor, de um homem desesperado. Não é. Marcos é abusivo, controlador. Um psicopata. Não confundam abuso como prova de amor, não é. É violência.

Princesa de Papel, Erin Watt – Editora Essência.
Para falar sobre o livro vou deixar aqui um trecho da Resenha feita pela Nanah Zoti no Blog dela, pra mim a melhor resenha sobre o livro.
“Mais pra frente a protagonista é drogada com LSD, o responsável por isso não foi levado a polícia, mas sim punido de uma forma bem cretina na frente da escola. E a situação mais grotesca está por vir quando os irmãos Royale salvam Ella, mas ao chegar em casa com ela - sem terem ido a um hospital - discutem quem irá "aliviar" a mocinha que está com tesão pra porra graças ao LSD que ingeriu. Acha que parou por aí? Não, claro que não! O mocinho da história fica responsável por aliviar a mocinha, enquanto ela estava obviamente drogada e sem ter noção alguma dos seus atos.
Agora se isso não é uma romantização escrota de violência sexual, eu não sei o que é. Nanáh, você não esta exagerando? Me diga caro leitor, qual é a diferença de um ser filho da puta que transa com uma mulher que está bêbada, enquanto ele está sóbrio pra isso que eu acabei de contar?”

Belo Desastre e Desastre Iminente, Jemie McGuire – Verus.
Tipica historia sobre o badboy e a mocinha. Travis, o macho alfa, e Abby a mocinha imatura, eram tudo pra ser o casal perfeito, se o Tavis não fosse um machista, controlador que o livro inteiro bate em todo mundo por ciúmes, invade o espaço pessoal da Abby, abraça, beija, toca ela sem permissão. Abby passa o livro inteiro chorando, e fazendo de tudo pra não irritar o Travis. O “mocinho” passa o livro inteiro demonstrando um sentimento de posse e uma obsessão pela personagem principal. Durante toda a trama o relacionamento deles é de tensão.

Aqui em baixo vou deixar uma listinha de livros indicados pelos meus parceiros, lidos e identificados como relacionamento abusivo, alguns já li outros vou ler e formar opinião.

After – Anna Toddy (li o primeiro e parei)
Série Crossfire – Sylvia Day (Li até o terceiro e parei)
O Fotografo – Jessica Milato (ainda não li, mas foi indicado por uma parceira, e depois li resenhas, vou fazer a leitura para formar opinião.
O professor, livro 2 - Tatiana Amaral (já li)
Função Ceo – Tatiana Amaral (li a serie)

Vamos abrir uma discussão? Vou deixar aqui minha opinião sobre Cinqüenta Tons de Cinza e se você não tiver a mesma deixe no comentário a sua. Assim vamos abrir uma discussão e em breve teremos um artigo sobre o Livro. Achei importante abrir essa discussão, pois, percebi que muitos têm opiniões contrárias sobre o livro.

Cinqüenta Tons de Cinza, EL James – Intrínseca.
Para muitos Christian Grey é um cara, fodidamente, perturbado e tudo o que ele faz se justifica pelos abusos que ele sofreu na infância. O problema não está no Christian ter problemas psicológicos, o problema está em romantizar e transformar ele em um herói.
Christian Grey é abusivo, violento e controlador. Ele não apenas quer uma submissa entre quatro paredes, ele quer uma submissa na vida. E embora durante o processo do livro ele lute contra todos os fantasmas e tente melhorar e mudar através de terapia, ele continua sendo um sádico abusador. Anastasia é abusada por ele, controlada e tudo isso é justificado e romantizado porque ele teve problemas na infância. Não justifica. Não é amor o que ele sente pela Ana, é obsessão. “Mas, Mai você já leu e vai assistir ao filme”. Sim, pros dois. Faz parte do meu trabalho não apenas ler como ir assistir no cinema os filmes da Franquia, eu não posso opinar sobre se eu não assistir. E para esclarecer não estou falando da pratica de BDSM que é consensual, estou criticando a forma como Christian é como pessoa e as atitudes que ele tem em função da Ana. Ele vende o carro dela e dá um Audi porque se sente no direito. Ele surta porque ela decidiu viajar e ver a mãe e não avisou ele, ai ele simplesmente vai atrás dela porque é assim que ele quer, ele não respeita o fato de que ela quis se afastar. Ele simplesmente compra um notebook pra ela e pega o da Ana SEM PEDIR PERMISSÃO. Christian faz o que faz e não pede em nenhum momento para a Ana, ele faz porque se acha no direito de fazer, alem de tudo isso, Grey ainda compra a Editora na qual a Ana trabalha pra manter ela, supostamente, segura.



Vou deixar vocês com esses livros que pra mim foram os mais chocantes e que romantizam esse tipo de relacionamento, se você já leu algum que te chocou dessa forma, deixa o nome do mesmo nos comentários! 

11 comentários:

  1. olá! Primeiramente, adorei seu blog! faltava um blog assim na minha vida! Bom, a respeito da critica, concordo plenamente com sua opinião. Nós, mulheres, não vamos ter plena liberdade e o respeito que merecemos se compactuarmos com esse tipo de situação, mesmo que nos pareça insignificante. Mas, ai está o erro... não é. Pelos blogs que sigo, grupos e afins, mulheres tem preferencia por esse tipo de literatura em sua maioria, não sei dizer se é como válvula de escape ou seja lá o que for, isso é errado! Se a pessoa só procura esse tipo de literatura sem critica-lá a altura, vai passar a aceitar aquilo retratado ali como normal. Grey em 50 tons, é um exemplo disso, tem-se a imagem dele como um deus, mas não é... o trauma em si, não justifica a dominação de outra pessoa... Enfim, minha opinião! Novamente parabéns!

    Beijos, Jana!

    Blog Eu Li nas EntreLinhas

    Blog Trouxa do Livro


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    1. Oi Jana! Que bom que tu te identificou com a minha opinião.
      É preciso sim falar sobre isso e trazer a tona, tem muitos pais e mães que não sabem o que a filha de 14, 15 anos está lendo. O que mais me choca é as editoras difundirem isso.

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  2. ótimo texto! Essa romantização da violência sempre me incomodou, as vezes, mesmo quando o autor deixa claro que É UM RELACIONAMENTO ABUSIVO, É ALGO VIOLENTO, a mídia romantiza, como foi o caso da Arlequina em esquadrão suicida, e Lolita de Nabokov.
    Eu detesto a forma que endeusam o Gray, não é romântico ser manipulada.

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    1. Lolita o autor sempre deixou claro que era um livro sobre abuso, romantizaram nos cinemas, assim como muitos outros. Precisamos falar sobre isso, é um tema bem polêmico, mas que precisa ser difundido, discutido e posto em cheque. Editoras precisam ter responsabilidade sobre aquilo que publicam.

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  3. Mai, amei a sua opinião e eu penso muito parecido com você.
    Dos romances que já disse, eu já li Crossfire que apesar de ter todo essa romantização, eu amo a série toda. Porque eu vejo que ambos são problematicos, e não apenas ele. Vejo que ambos se auto destrõem para depois encontrarem o jeito certo de amar.

    Belo Desastre eu amo, assim como os Irmãos Maddox, e o que eu vejo é que o Travis tem todos aqueles problemas e a Abby deixava também. Eu vejo que apesar de pensarem que é pura sacanagem o que ele faz com ela, eu vejo que o problema dele era sim devido à perda da mãe e isso influenciou muito. Nem sempre quem é sem noção e abusivo em uma relação, é porque seja ruim, né?
    After eu li tudo muito rápido. É intenso, pesado e cansativo. Aquilo sim foi abuso atrás de abuso do Hardin. Ele sim é doente e precisava de tratamento. Esse eu concordo que deveria ter sido menos romantizado e sim, trazido à discussão de até que ponto realmente ele era ruim? Será que aquilo era normal? Ele tinha uma família que não foi atrás disso.... só quando tudo ficou feio...
    O professor eu li o primeiro e não achei abusivo. Vi que a Charlotte queria aquilo e o Alex resistiu. Se os próximos ficam assim... eu preciso ler antes para entender.
    Agora o principal: 50 tons eu não gosto nada. Não pelo BDSM, mas sim pelo irrealismo que aquilo traz. Pela fantasia toda e pelos comportamentos dele. Ele não me desceu, foi uma mistura de tudo. Esse é um livro que eu digo que não gostei e não concordo com o que ambos fazem: ele abusivo, ela burra o suficiente para acietar por "amor". Isso é amor doentio, sinceramente.

    Ameeeeeei o texto! Parabéns!

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    1. Isa, eu li o Professor a serie estou terminando de ler o três, no segundo o Alex se torna muito agressivo e abusivo com a Charlotte. Embora no primeiro tenha sido tudo consensual no segundo muita muita coisa.

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  4. Mai, adorei seu post. Pode parecer coincidência, mas essa semana estava refletindo sobre isso, pois estava lendo um livro que me deixou bastante confusa. Em alguns momentos senti que a autora queria fazer exatamente o que acontece nestes livros, mostrar a submissão da mulher, mas (graças a Deus) não chegou a este ponto. E aí me lembrei quando li o livro Cinquenta Tons de Cinza e estava refletindo como o mercado literário nacional tem ficado superlotado de livros que tem um enredo perfeito para ser trabalhado, mas que se perde em meio às cenas de abuso e submissão.
    Há uma linha muito bem demarcada entre o abuso e o sexo mais quente e parece que as pessoas não estão sabendo lidar e diferenciar estes dois termos.
    Fico triste, pois vejo muitos livros com esse teor se difundindo em meio às mulheres principalmente, e pior em meio a diversas adolescentes que na maioria das vezes entram no meio literário através destes livros e não se desprendem deles.
    Não há nada de bom em romantizar essas cenas. O que acontece alí não é legal e não é saudável.

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    1. É preciso exigir das Editoras responsabilidade sobre o que é publicado. Os autores precisam escrever sobre abuso, isso é fundamental, o que não pode acontecer é romantizar isso e transformar em um relacionamento saudável, o que não é.

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  5. Oi,Adorei o post, e concordo plenamente com o que diz, uma coisa é um relacionamento BDSM, onde tudo é consensual e os dois gostem da prática e concordam com as regras, já li alguns livros que enfocam essa prática muito bons, mas o que está acontecendo é que estão confundindo as coisas, eu não consigo ler esses livros, fico indignada, tem um livro que eu li (não vou citar o nome nem a autora) que o casal briga a mocinha foge e o mocinho sai caçando ela,quando ele a encontra ele laca ela,sim como um animal,amarra ela numa árvore e a estupra, como pode isso ser romântico? Ele pode ter os problemas que tiver, mas nunca poderia fazer isso. E eu fico imaginando adolescentes lendo isso,sim por que eles lêem, mesmo sendo impróprios, tenho um Instagram literário e vejo a idade dos adm de alguns igs e os livros que estão lendo...Isso é muito preocupante...Teria que haver uma conscientização sobre a influência que isso tem e a responsabilidade dos autores e editoras pois eles são sim formadores de opinião.Parabéns!

    www.livrosemretalhos.com.br

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  6. Mai como sempre arrasando nos posts. Esse é um assunto que sempre que tenho a oportunidade, venho debater e expressar a minha opinião, pq sei que não podemos esconder e nem deixar passar algo assim como se fosse banal. Um dia vi que um projeto de lei, onde iriam proibir filmes e séries que passassem na televisão, de mostrar cenas de estupro e ao contrário de muitos que aprovaram a ideia, eu não curti. Porque quando vc esconde o horror disso, os outros não veem e não dão importância. É realmente preciso expor essa situação. Concordei com quase tudo o que disse, sou uma defensora do Christian Grey! kkkkkkkkkkk. As atitudes dele no início do livro, ao meu ver não são abusivas. Porque? O sr. Grey é um praticamente de BDSM, e ao contrário do que a maioria pensa, essa prática não é exclusiva a quatro paredes, ela é um estilo de vida. Consensual, que a Ana decidiu seguir. Obviamente vemos que ela se incomoda com isso, e no segundo livro vemos a atitude do Christian em não fazer nada que ela não goste. O livro com toda a certeza é polêmico, não teve esse BDSM explorado (na parte do sexo) de forma bem fiel, mas quanto ao estilo e moldar o personagem nesse estilo de vida as coisas realmente saíram certas. Não considero um relacionamento abusivo justamente porque ele não abusa de autoridade da Ana, de força, confiança, direito e muito menos sexual.
    Tem muito pano pra manga nessa história e com certeza existe argumentos infinitos pra ambas as opiniões, foi bem bacana você abrir esse espaço pra ouvir o que o leitor tem a dizer!

    Beijos da Nanáh!!
    - nanahzotirecomenda.blogspot.com.br

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    1. Eu adoro abrir espaços e ouvir a opinião do meu leitor. Acho que o debate é saudável. É importante sim mostrar cenas e atitudes abusivas na TV, em livros, no cinema, mostrar o horror por trás disso, o que não pode acontecer é exatamente isso que citei: romantizar esse tipo de relacionamento que não é legal. Que não é saudável. Obrigado Nanah! Sua opinião é bem vinda e importante.

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