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24 de outubro de 2016

Um olhar sobre: Menina Má (The Bad Seed), William March




Menina Má – The Bad Seed – William March


A resenha de hoje vem trabalhada no suspense e na maldade. A pergunta que não quer calar: qual a origem do mal nas pessoas?

Já nascem assim? São fatores psicológicos, sociais? O que leva a alguém tirar a vida de outra pessoa? O livro Menina Má, clássico da Literatura Inglesa, publicado em 1954, nos faz entrar num mundo, até hoje pouco discutido nas rodinhas de amigos: existem crianças más?

Antes de eu falar sobre o livro, dá uma lida nessa sinopse:

Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

Realmente quem vê a carinha de anjo de Rhoda, não sabe que por trás daquela franja perfeitamente cortada e daquele ar adorável de inocência, se esconde uma criança fria, dissimulada, mentirosa e manipuladora. Rhoda a personagem principal é o tipo de criança com certas “peculiaridades”; aos olhos dos outros, mas sua mãe, Christine, sabe que existe algo além daquela carinha linda, embora acredite que certas atitudes da filha sejam apenas uma fase. O fato é: tudo muda quando um coleguinha de classe de Rhoda – a filha do capeta -  aparece morto em um passeio, e as pistas sobre a estranha morte do garoto leva Christine – mãe da encarnação do capiroto -  a acreditar que a filha está mais envolvida do que diz estar.



É importante ressaltar que o livro data da sua publicação em 1954, ou seja, há 62 anos atrás. O Autor, William March, nos leva em uma jornada absolutamente psicótica tendo de decifrar o que se passa na cabeça da pequena Rhoda e o que a faz matar sem sentir um pingo de remorso.



Rhoda, nossa menininha de 8 anos, não é capaz de sentir empatia – aquele sentimento de se pôr no lugar do outro – ou qualquer outro tipo de sentimento considerado humano. Rhoda é motivada pela ganância e faz qualquer coisa para conseguir o que quer. Com sua fala dissimulada, sua covinha e com seu falar correto ela conquista a todos com a aparente “simpatia”, só que tudo não passa apenas de: interesse. A menina é fria, calculista e totalmente egoísta, porém dotada de uma inteligência acima da média, para crianças da idade dela. A personagem é a verdadeira face da palavra “tabu”, pois embora estejamos em 2016, ainda não se é discutido a PSICOPATIA INFALTIL, que existe e tem diversos casos reais que provam. O livro não é apenas um clichê de suspense sobre uma mãe que desconfia da filha, ele trata um tema muito mais profundo, como: padrões psicológicos, sociais e genéticos. Aborda a psicopatia não apenas como um meio para um fim, mas como um assunto sério e que preciso muito ser discutido.



Rhoda em momento algum do livro demonstra realmente se importar com alguém além dela mesma. Se ela quer algo, por mais ambíguo ou insignificante que seja, ela consegue, nem que para isso precise matar.

         Além de conhecermos Rhoda, somos apresentados a Christine a mãe da menina e que com o passar do tempo passa a desconfiar das atitudes da filha e começa então uma alucinante busca atrás de respostas. Christine é a típica mulher dos anos 50. Loira, bonita, do lar. Cuida da filha enquanto o marido está na marinha. Christine é a personagem principal do livro, pois durante todo o tempo vemos sua busca incansável por qualquer coisa que justifique suas dúvidas a respeito do cárter da única filha. Ela desconfia da filha. Quer saber se a menina tem algo a ver com a morte de Claude, pois sabe que Rhoda foi vista perto do local onde acharam o corpo do garotinho. Nessa busca incessante por respostas sobre o comportamento da filha, vemos Christine se deparar com muitas questões. O que fazer quando se descobre que sua filha de 8 anos pode ter matado um coleguinha? O que fazer para que a mesma pare? Como conviver com isso?



       Nessa busca Christine é levada a se confrontar com o próprio passado. Uma personagem crua, que no início do livro me irritou bastante por tanta inocência, mas me forcei a lembrar várias vezes que ela era mãe e estava lidando com um problema que ela não sabia como lidar. Como acreditar que uma menina de oito anos é tão mortal quanto uma lamina afiada? Como pensar que dentro da sua filhinha existe tanta maldade?
William nos apresenta uma personagem aparentemente frágil, mas que com o passar das páginas nos mostra sua força e sua luta interna contra o certo e o errado, o moralmente correto e as decisões de nosso coração.



William nos faz viajar por muitas questões, em um suspense clichê para 2016, ele nos mostra o quanto seu talento era aguçado, para a época em que escreveu. A narrativa e os personagens nos fazem retornar há 62 anos atrás, em uma leitura curta, mas absurdamente fantástica em um mundo além do que nossa mente permite. O Autor nos faz questionar por diversas vezes a conduta e escolhas de Christine, sem nos esquecermos de que Rhoda é sua filha, e que não é tão fácil assim desistir de quem amamos. Em um clímax perfeito para a trama, William nos faz entender que algumas pessoas simplesmente nascem más, e que por mais que sejam amadas a vida inteira, a crueldade mora dentro delas.
Além de toda a trama, William nos dá personagens fantásticos, a Sra. Breedlove, vizinha de Christine e Rhoda, com um pensamento muito além de seu tempo, notamos nela alguns aspectos bem feministas. Sua liberdade para falar e fazer o que quiser. E ainda temos Leroy, zelador do prédio, aparentemente maluco, mas o único a perceber desde o início que Rhoda é perigosa.

Menina Má (The Bad Seed) além de ser um clássico da literatura inglesa, também é um clássico dos cinemas e ganhou as telas em 1956 com o filme de mesmo nome do Livro. No Brasil foi lançado sobre o título de “Tara Maldita”. A personagem Rhoda inspirou muitos outros personagens clássicos como: Annabele, Chucky, Demien, Dexter e Samara de O Chamado.




Para você entender um pouco sobre o tema, olha esse trecho de um Artigo da Revista Galileu, foi respondido Fábio Barbirato, chefe do setor de Neuropsiquiatria da Infância e da Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro:
 Maldade pode ser definida como falta de empatia. Quando você provoca algo mal a alguém, é porque você não está muito preocupado com que essa pessoa venha se machucar fisicamente ou emocionalmente. Isso significa que você não se importa com o outro. A gente sabe que essa falta de empatia está ligada a algumas áreas do cérebro, como o córtex frontal. Ela também está ligada, em seus casos mais extremos, ao que os antigos chamavam de psicopatia e hoje nós chamamos de personalidade antissocial. O termo utilizado para definir essa mesma falta de empatia em uma criança é transtorno de conduta. Esse transtorno começa na infância e pode ser diagnosticado até os 17 anos. Ele se caracteriza justamente pela falta de empatia e remorso.


O livro foi republicado pela DarkSide em Maio de 2016.



O tema sobre Psicopatia Infantil não é discutido e sim em pleno 2016 há pessoas que duvidam que isso exista, mas não é só historias para assustar crianças, existem e tem vários casos famosos no mundo, vou deixar aqui em baixo pra vocês alguns desses casos.

Eric Smith



Aos 13 anos, Eric Smith era tímido, usava óculos de lentes grossas, possuía sardas, cabelos ruivos longos e uma outra característica: ele tinha salientes orelhas alongadas.
Acreditava-se ser um efeito colateral de remédios que sua mãe tomava para controlar sua epilepsia quando ela estava grávida. A polícia acusou Smith de assassinato de um menino de quatro anos chamado Derrick Robie. A criança tinha sido estrangulada e pedras grandes foram jogadas sobre sua cabeça e tinha sido também abusada com um pequeno bastão. Quando perguntado por que ele fez isso, Smith não deu uma resposta que pudesse convencer.
Um psiquiatra diagnosticou Smith com transtorno explosivo intermitente, uma condição na qual uma pessoa não pode controlar a raiva interior. Smith foi condenado e foi para a prisão. Ele está na prisão há seis anos e foi negado liberdade condicional por cinco vezes.

Joshua Philipps



Foi quando ela percebeu uma mancha molhada debaixo da cama de seu filho e pensou que era um vazamento de cano. Ela colocou a mão debaixo da cama e sentiu algo frio.
Ligou uma lanterna que lhe mostrou o cadáver de Maddie Clifton, um vizinho de 8 anos de idade, que havia desaparecido há sete dias. Pessoas da comunidade, especialmente pais do menino, mal podiam acreditar que ele poderia ter matado Clifton. Phillips inclusive, foi um dos vizinhos que se ofereceram para procurar a menina desaparecida.
Como ele era menor de 16, Phillips não foi classificado para a pena de morte. Ele foi condenado e sentenciado à prisão perpétua, sem possibilidade de libertação. Phillips não disse quais foram seus motivos para matar Clifton.
Ele disse que acidentalmente atingiu-a nos olhos com um taco de baseball, e depois arrastou-a para o quarto onde ele esfaqueou-a, mas o júri não se convenceu sua história.


John Venables e Robert Thompson



A mãe de James Bulger de apenas 2 anos deixou-o esperando-a na porta do açougue aonde fazia compras porque não levaria muito tempo para retornar já que não havia fila no açougue. Mal ela sabia que seria sua última vez que ela iria ver o filho vivo.
Jon e Robert, que estavam no mesmo shopping que os Bulgers, estavam participando de suas atividades habituais: ficar pulando, passear na lojas, roubando as mercadorias quando os vendedores viravam as costas, e subindo em cadeiras nos restaurantes, até que eram expulsos. Os meninos então viram James e tiveram a idéia de pegá-lo e empurrá-lo para cima de um veículo.
Foi relatado que os meninos já haviam tido uma tentativa semelhante anterior com um menino antes de James, que falhou porque a mãe percebeu o desaparecimento do filho e encontrou-o antes que pudessem levá-lo para fora.
Durante sua caminhada de três quilômetros, os meninos de 10 anos de idade deram socos e chutes em James. Alguns dos atos foram vistos por transeuntes que ignoraram a cena, pensando que eles eram apenas dois irmãos mais velhos, que não sabiam como cuidar de seu irmão mais novo.
Jon e Robert James trouxeram-no para a estrada de ferro local, onde jogaram tinta no olho esquerdo do menino, atiraram pedras contra ele, espancavam-no com tijolos, e bateram na cabeça com uma barra de ferro. Eles também o agrediram sexualmente e colocaram o seu corpo sobre a estrada de ferro, cobrindo a cabeça com tijolos pensando que ele já estivesse morto. Foi relatado que James morreu pouco antes de um trem atingí-lo.


3 comentários:

  1. amei esse livro,adorei essa capa bonita dele.
    Essa menina é uma peste!! rsrssrs
    tive tanta raiva dessa menina ,rsrsr
    amei tua resenha e os casos que vc colocou.
    Falando sério,é algo terrível né?
    seguindo vc.
    bjss
    http://escreverdayse.blogspot.com.br/

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  2. Faz tempo que não encontramos nada na mídia com o assunto né? Eu adorei o livro e a visão do autor. A pequena Rhoda me deixou com medo sim rs, por mais que sejam épocas bem diferentes.

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  3. Resenha fantástica, Mai!
    Adorei, ainda mais os relatos "reais" de crianças nessas condições!
    Beijos :)

    nanahzotirecomenda.blogspot.com.br

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