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29 de setembro de 2016

O lado feio de escrever.


Eu acho muito engraçado, e até, infla meu ego, um pouquinho, quando digo a alguém "Sou escritora" e a pessoa diz: "Ual, sério? Você escreve o que?" E desanda a perguntar sobre como é ser desse mundo. E eu conto. Tudo. Todas as partes bonitas. Eu escondo as feias, porque ser escritor num país como o Brasil, é como querer ter o corpo da Gisele comendo Big Mac todos os dias.
Ser Autor/Escritor tem suas partes feias. Dolorosas. Eu sofro com tendinite, nos dois pulsos. Eu já passei 6 horas escrevendo sem parar e apaguei tudo o que escrevi porque “não estava bom o suficiente” eu tive um bloqueio criativo por quatro meses e isso me consumiu como o inferno. Eu chorava porque sentia demais, e chorava porque não podia escrever. Eu tenho que lhe dar com críticas negativas, mas muitas delas vem recheadas de discurso de ódio. Discurso de ódio não é legal, é triste.
Eu enviei 'Sofia' pra praticamente todas as editoras para submissão, e em menos de 12 horas tinha um orçamento na minha caixa de email. O mais barato que recebi? R$ 14.500,00 da Novo Século. Eles nem pararam para ler. Eles apenas me enviaram um valor a pagar. Eles nunca avaliaram Sofia. Eles não pararam pra ler o que eu tinha a dizer nas 134 páginas que compõem o livro e isso foi um balde de água fria.
Eu durmo 5 horas por noite, quase sempre. Eu só consigo escrever a noite, e por mais que trabalhe na parte da tarde e acorde depois das 11, eu vou dormir quase amanhecendo o dia. Eu só funciono assim.
Eu leio. Faz 11 anos que leio. Eu tinha 13 quando li meu primeiro livro e 16 quando escrevi minha primeira FanFiction.
Eu devo ler em torno de 200 títulos por ano. Sim 200. Eu consigo ler um livro de 400 páginas em no máximo três dias.
Eu preciso ler. Preciso de inspiração. Eu preciso dar o meu melhor para as minhas Obras e os meus leitores. Eu tenho a responsabilidade de dar o meu melhor. Ler, ver filmes, escutar música tudo isso me inspira. É preciso pesquisar também, principalmente se você vai abordar algum tema especifico no livro, até mesmo a cidade onde vai se passar a estória, é preciso conhecer antes de criar.
Eu tenho TODA: Transtorno Depressivo Ansioso, e quando não posso escrever a ansiedade me mata, minha mente está criando e eu não posso por aquilo para fora.
Quando recebo orçamentos ao invés de uma análise das minhas Obras eu choro por uns dois dias. Eu vivo sempre ansiosa. A minha mente trabalha a 100 km por hora.
Eu converso com meus personagens, porque na minha cabeça eles são reais. E isso me deixa desconcentrada de outras coisas, e eu não me foco em nada por mais de 2 minutos.
O meu chefe chama a minha atenção milhares de vezes durante as reuniões. Eu não faço de propósito, a minha mente está criando, ta formando.
 Eu tenho que reler as perguntas dos meus exercícios da faculdade no mínimo 5 vezes, e levo em média 1:30 pra responder cada questão porque eu não consigo me concentrar. Eu só me concentro quando estou criando ou lendo. Até pra prestar atenção em um filme é difícil.
Eu tenho fortes dores de cabeça. E até a luz me incomoda. Eu sinto dores nas costas e nos braços porque passo horas na frente do notebook.
Ser escritora é bom. Eu amo e não existe mais nada que queira fazer na vida. Mas, ser escritora é sacrifício, renúncia e dor. Ser escritora tem suas partes feias dá vontade de desistir. Mas, nunca me prometeram que seria fácil né?
- Mai Passos G

Autora de Sofia, redatora do blog.

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