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4 de agosto de 2016

Ei moço, você que tá com a arma na mão.




        Ei moço, você que tá com a arma na mão.

     Ei, moço. Ei você aí mesmo, parado com essa arma na mão e assustando a todos dentro do ônibus. Ei moço, larga essa arma, por favor. Nada vai mudar na sua vida se roubar toda essa gente. Solta, por favor, você pode machucar alguém ou a si mesmo.

      Ei moço. Eu sei que a vida é uma merda, que esse país é um caos e que, talvez você esteja fazendo isso por fome, por não ter opção. Eu sei moço, eu também moro aqui, eu também nasci na quebrada, na favela. Eu também andei de descalço, no frio. Várias vezes faltou comida na mesa moço, eu também já chorei de fome. A mãe tá sozinha, trabalhando dia e noite, o pai eu nem sem quem é, ele sumiu antes de eu nascer. A coroa deu duro moço, tão duro que ficou doente e, às vezes, não consigo comprar o remédio. Moço, larga a arma. Você só está se ferindo. Ei sei que essa vida parece mais fácil, mais segura financeiramente, mas moço não compensa. Ei moço, eu sei que a educação é uma merda, emprego paga pouco e somos explorados muitas vezes, eu sei moço que o crime parece compensar, mas no fim você sabe onde pode parar.

     Moço só me escuta, por favor. Larga essa arma, me dá a mão, eu vou te ajudar. Ei também não tenho muito, mas eu não me importo em dividir. Moço, não nos machuque, não se machuque. Só me dê a mão.


Um comentário:

  1. Oi Mai,
    Que texto forte, hein?
    Uma ótima abordagem para uma temática dessas.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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