Últimas Postagens

13 de dezembro de 2015

Carta de Alforria, a despedida da dor.









O dia começou levemente perfeito para mim, mesmo nas atuais circunstâncias. O que vou contar aqui não é apenas um desabafo é um alerta, para que nenhuma pessoa no mundo passe pelo que passei.
Ontem recebi minha carta de alforria, triste dizer isso, mas, é verdade. A Empresa para qual trabalhei durante um ano e três meses me demitiu, afinal é mais fácil demitir um funcionário do que corrigir a conduta de um Gestor.
Em Agosto do ano passado fui contratada por essa empresa, o sonho da minha vida, trabalhar em uma multinacional com chances de crescimento. Vesti a camisa, entrei para o time e fui para o jogo, afinal isso é o mercado de trabalho. O que era para ser um sonho terminou em pesadelo, afinal o que começa errado, termina errado. Fui contratada para ser vendedora, acabei sendo jogada no atendimento pessoal da empresa. Ouvia desaforo todos os dias de clientes. Era xingada e humilhada, me chamavam de incompetente para baixo, graças a Deus isso eu sempre soube que não era. Teve momentos que até B.O tive que fazer. Tive meus picos de estresse, mas, nada que até aquele momento afetasse minha competência. O que ouvimos, eu e meus colegas de atendimento, dos clientes, passamos a ouvir de colegas de trabalho, éramos chamados de "básicos", pois, não conseguimos atender a demanda toda de clientes e ainda vender. Se reclamávamos de algo apenas ouvíamos "não ta bom a gente manda para a loja de Shopping" ouvir isso era horrível, afinal quem gostaria de trabalhar em Shopping? Perder feriados, domingos, perder o pouco que tínhamos. Quando resolvemos realmente fazer algo para mudar a situação fomos acusados de fazer "Motim".
Em uma tarde fomos acuados dentro de uma sala até confessarmos quem havia dado a ideia de fazer algo para mudar aquela situação. Admiti naquele dia e admito agora, fui eu. Com muito orgulho. Não estava fazendo motim, estava lutando por algo que tenho direito que é RESPEITO. Uma semana depois fui transferida de loja, manda diretamente para o Shopping. As ameaças finalmente foram cumpridas.
Trabalhei incansavelmente, domingos, feriados, com hora para entrar, sem hora para sair. Sem ganhar hora extra, afinal eu fiz um curso externo da empresa, não consegui bater o ponto, pois estava fora, meu ponto, mesmo que solicitado ao gestor, jamais foi ajustado. Todas as horas a mais que fazia ia para essas horas "negativas" que nunca estiveram negativas.
 Já no Shopping minha nova gestora, que foi meu anjo, solicitou de todas as formas o ajuste do meu banco, NUNCA o RH da empresa fez questão de ajustar. Fui treinada, dia e noite para quem sabe no próximo ano ser promovida. O que nunca aconteceu.
No meio do ano houve trocas de gerencia, meu anjo saiu e assumiu uma outra pessoa. Eis que o início do fim começaria. Em determinado momento fui humilhada por essa gestora na frente de colegas e cliente, em uma cena lamentável. Lamentável não, uma cena desnecessária, há coisas nessa vida que não se faz nem para um objeto inanimado. Sete dias após esse episódio fui diagnosticada com Transtorno Depressivo Ansioso, uma batalha sem fim com a mente e o corpo. 15 dias afastada, dopada até o último fio de cabelo, até o Psiquiatra me afastar de vez. Começava a saga do INSS, pericia, e mais humilhações, afinal a perita achou que eu estava apta a trabalhar. Volta ao trabalho e uma demissão. Depois de tudo isso ainda fui chutada por denunciar a conduta da gestora, eu estava errada. Deveria ter sido humilhada e ter ficado quieta, fui demitida porque estou mentalmente doente, como se tivesse escolhido estar assim.
Fui demitida porque tentaram me derrubar e conseguiram. Palmas para você que conseguiu isso.
Aos que me humilharam, subjugaram, tentaram me derrubar apenas sinto pena. Pena por serem tão pequenininhos a ponto de não enxergar a dimensão de suas ações.
Aqui finalizo meus dias nesse lugar e início uma batalha por justiça. Justiça sim porque nenhuma pessoa no mundo merece passar por isso, não sou obrigada.
Mai.

Nenhum comentário:

Postar um comentário