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27 de outubro de 2015

Dia Dois




Dia Dois.


Hoje presenciei uma cena triste. Um senhor, muito bem arrumado e vestido, estava  machucado na parada do meu ônibus. Completamente bêbedo. Bêbado seria pouco pra definir seu estado, a Brigada Militar tentava senta-lo para que não caísse novamente.

Presenciar essa cena me fez pensar, a que ponto chega a dor do ser humano. Eu sou da opinião de que ninguém fica nesse estado porque quer, mas, sim que há por trás, talvez, uma grande dor.

Eu parei para pensar se a dor dele podia ser comparada a minha. Imaginei se nesse dia talvez ele tenha perdido o emprego, alguém importante, ou somente a dignidade. Se, talvez, ele tenha perdido tudo. 

Nesses momentos a gente vê o quão triste e solitária a vida pode ser. O quanto palavras, ações e escolhas podem nos destruir. Ou o quão destrutivos somos, com nós mesmo. 

Será que a dor dele pode ser comparada a minha? Será que a dor dele pode ser controlada pelos mesmos remédios que eu tomo? 

Eu estou indo pra casa, ainda me pergunto o que o levou a chegar naquele estado deplorável. Atirado na sarjeta, sem identidade, sem dignidade, machucado e chorando. A que ponto nossas dores podem nos absorver para dentro da escuridão? 

Perguntas, perguntas, perguntas. Eu estou no ônibus escrevendo isso, com lagrimas nos olhos e o coração despedaçado. Eu queria poder fazer algo, eu queria curar a dor dele. Mas, como fazer isso se não posso lidar nem comigo mesma?

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