Últimas Postagens

8 de maio de 2017

Desculpe o incomodo, mas a gente precisa falar sobre o PDF!



Essa semana que passou aconteceu algo que ocorre muito no mundo literário: vazamento de PDF das obras, sejam físicas ou em ebook. Diante disso em um debate bem legal com as meninas no grupo e Blog Lunáticas por Romances começamos a debater o assunto, e para minha total SURPRESA descobri algumas coisas sobre os “supostos” vazamentos de PDF que não é muito o que parece, mas antes da gente entrar no mérito da questão e eu contar para vocês o que foi que aconteceu, vamos falar sobre a infinita briga de autores X leitores?

Antes de a gente entrar no assunto vamos entender alguns dados sobre o mundo Literário?

Um pesquisa efetuada em 2015 mostra que 44% da população brasileira não lê, e 30 % nunca comprou um livro, os outros 56% leem entre 4 a 5 livros por ano.


O Brasil é um país que não investe em Literatura, não existe lei que proteja os autores e nem um programa que vise incentivar a leitura, a não ser a dos grandes clássicos.
Um povo que não é incentivado a apreciar a leitura, logo não vai ler, logo não vai comprar e contudo o mercado editorial se torna escasso, sem investimentos e obriga o autor a investir em si próprio.

No balanço do tema, nós ainda temos um seleto grupo de pessoas que gostam de ler, e fazem de tudo para ter um livro. Dentro desse seleto grupo nós temos pessoas com condições de comprar o livro que quiser, pessoas que compram quando dá, e pessoas que infelizmente não possuem condições financeiras de adquirir, e quando o fazem é de algum autor que conhecem.

Com esse pouco de dados já podemos ter a realidade do autor brasileiro “Ele investe e muitas vezes não tem retorno”, hoje ainda, temos autoras que já conseguem viver de suas obras e isso gente é uma vitória pra qualquer autor.

Entrando agora diretamente no assunto “Vazamento de PDF” nós precisamos não apenas discutir as questões legais de ser pirataria e ser considerado crime, é preciso entender a realidade que vivemos como citei no paragrafo acima. Nessa semana passada, um post da querida Scar Miranda me chamou a atenção e depois conversando com ela entendi o porque estava tão brava.

Resumindo: autoras que estavam se queixando do “vazamento” do PDF do seu livro fez textão no facebook e no outro da já estava como mais vendido da Amazon, em seguida fui esclarecida que muitas autoras usam de um “vazamento” como estratégia de “marketing” para assim vender mais. Como não me contento em apenas me contarem fui atrás para saber, então nos grupos de autores e leitores procurei os autores que lançaram livros entre Março e Abril e se havia algum vazamento de seus PDF, para a minha surpresa pelo menos 6 lançaram, reclamaram do vazamento e na mesma semana estavam entre os mais vendidos. Eu sentei, respirei e fiquei chocada. Porque? Simples, me graduo esse ano em Gestão Comercial com habilitação em Marketing e usar de “falso acontecimento” ou “ato primeiramente prejudicial” para se promover é propaganda enganosa, induz o leitor a comprar algo que talvez ele não queira ou não possa comprar no momento. Resumindo: tiro no pé. Autores e autoras reclamam de vazamento, mas usam disso pra se promover.

Como falei no texto publicado no grupo Lunáticas por Romances, eu, Mai Passos G escrevo porque amo, porque eu quero, porque me faz feliz e porque é meu sonho. Fama e Dinheiro já foram sim no inicio meu principal objetivo, mas chegou a um ponto em que a gente encontra na escrita algo além disso. Repito: dinheiro acaba, fama também, a gente morre e não leva nada. Escrever e publicar é o sonho da minha vida, quem me conhece na parte privada da minha vida sabe a batalha que é para fazer as pessoas a minha volta entender isso, mas compreendi que meu maior desejo é que as pessoas me leiam, que elas entendam a minha história, que sejam tocadas por ela.

Há um tempo atrás eu defendi muitas autoras que tiveram o PDF vazado, afinal, precisamos sim entender que existe tempo, dinheiro, amor e dedicação ali naquele trabalho, e que precisamos sim entender que os livros precisam ser comprados, mas na contrapartida disso tudo nós também temos leitores, que tem que ser respeitados não importa se ela compra seu livro físico, ebook ou acaba lendo em PDF e sabe porque?

Porque se esse leitor gostar de ti ele vai comprar teu trabalho, seja físico ou ebook, e ele vai continuar seguindo teu trabalho e adquirindo seus outros trabalhos e vai ser fiel a você pro resto da tua vida e porque eu digo isso? Eu já li muito PDF sim, até de autor nacional, e os que lançaram físicos e eu gostei estão TODOS na minha estante: Bianca Briones, Milla Wander, Carina Rissi e entre outros. É preciso também entender que hoje na atual realidade da literatura no Brasil nenhum leitor vai adquirir um livro sem antes conhecer previamente algum trabalho do autor. O livro físico no Brasil custa em torno de 30 a 50 reais; comprado em livrarias, se compras pela internet ainda corre o risco de pagar um frete altíssimo. No caso do ebook, muitos são vendidos pela Amazon que aceita cartão de crédito tradicional e pré-pago e cartão de débito, mas muitos não tem essa informação, ou realmente precisam priorizar outras coisas que sejam, e por mais que custe 1,99 os livros, esse 1,99 pode fazer falta, acreditem.

Queridos autores nacionais que eu amo, respeito e admiro: não estou desmerecendo o seu trabalho por você querer ganhar dinheiro e ter fama, estou sendo HONESTA sobre a nossa realidade e meu ponto de vista como autora, leitora, e graduanda na área de vendas e marketing.

Não usem o vazamento de PDF contra vocês e não usem isso para se promover, não afastem os leitores de vocês tragam eles para perto, usem esse PDF a favor, você pode ganhar muitos amigos e leitores fiéis. Usem da “tragédia” uma maneira de te ajudar como autor, mas de uma forma correta e limpa. Textão no facebook não vai resolver isso, afinal o PDF sempre vai existir.

Não critique, não ofenda e jamais falte com respeito porque alguém lê PDF um dia você já foi leitor e um dia você já leu sim PDF, não adianta mentir, afinal, quem nunca leu PDF dos grupos de traduções de livros que nunca chegaram no Brasil? Ou não conseguiram esperar a tradução chegar por aqui?

Reflitam!


E como campanha estou deixando meu livro “Sofia” em PDF disponível para download para quem quiser ler e conhecer meu trabalho, mas quem quiser ajudar a autora e comprar ou ler pelo Kindle Unlimited está disponível na Amazon.


2 de abril de 2017

#NãoSejaUmPorque: você provavelmente já foi.





No dia 31 de Março a Netflix lançou logo pela manhã a série original “13 Reasons Why” em tradução livre “13 Razões do Porque”, baseada no livro de mesmo nome do autor Jay Asher.
A cantora Selena Gomez adquiriu os direitos do livro e em parceria com a Netflix lançou a série.

Desde seu lançamento há menos de 72 horas e série já é um sucesso no mundo inteiro e é o assunto mai comentado nas redes sociais.

A pergunta que não quer calar é “Porque a série é um sucesso tão rápido?”
A resposta vem muito simples: ela é real.





A série acompanha Clay, um jovem menino que recebe um pacote. Ao abrir encontra fitas cassetes, ao ouvi-las descobre que foi gravada pela amiga e paixão de escola Hanna Beker que cometeu suicídio. Nas fitas Hanna narra os 13 porquês que a levaram a tirar a própria vida.
Em uma série que se passa em um ambiente escolar, descobrimos que um "simples brincadeirinha" pode se tornar em uma sucessão de acontecimentos sem controle.



Li o o livro em que a serie se baseia há 7 anos, e o mesmo não mexeu tanto comigo quanto a série. É muito fácil imaginar o personagem e sua dor enquanto estamos lendo, tentamos a todo o custo minimizar aquele desconforto de quem sofre, porém quando os personagens ganham rosto e voz na TV tudo se mostra de outra perspectiva e então a dor do personagem pode ser sentida em seu estado real.

13 Reasons Why fala sobre bullyng, mentiras, machismo, culpabilização da vítima e a banalização da depressão e do suicídio. Além de abordar assuntos como a objetificação do corpo da mulher. É uma SURRA de lições.



Acredito que o grande sucesso da série se reflete em o quanto eles foram reais ao mostrar a história da Hanna e o quanto fofocas e mentiras podem prejudicar alguém. Que existe sim opressão, e que muitas vezes, quem não comete o ato de oprimir, assiste e não faz nada.

É uma analogia a realidade da violência escolar, não só nos EUA, mas no Brasil também, onde crianças matam-se entre si.

Tratando com bastante cuidado a série transmite uma mensagem direta e real de responsabilidade social e empatia. Em 13 horas de série é possível se questionar até quanto uma pessoa pode aguentar ser humilhada, oprimida e tratada como se fosse um animal enjaulado? Até quando a pessoa pode suportar que encham seu copo de água. O que acontece quando ele transborda? Porque adolescentes são tão cruéis por coisas tão fúteis? Qual o problema dessa geração que não consegue sentir empatia?


Os 13 Porquês de Hanna tornam-se, os 13 motivos de muitos outros jovens em nossa sociedade. De forma limpa e honesta a série debate assuntos reais, cotidianos e não discutidos.

Porque a morte é a solução para essas pessoas? Qual é o momento em que você deixa de sentir nada? Qual é o ápice para uma atitude tão radical?

Hanna tentou, mas ninguém quis ouvi-la.

13 Reasons Why faz te questionar: será que já fui um “Porquê?”




#NãoSejaUm Porque





26 de março de 2017

Eu não sou louca, eu tenho depressão.





Eu não sou louca, nem descontrolada e muito menos suicida. Eu tenho depressão, e como se não bastasse ainda há a ansiedade.
Durante muitos anos eu tenho ouvido de pessoas próximas e até de quem se diz amigo “você é louca” “credo pra que tomar tudo isso de remédio?” “remédio é coisa de gente louca.
A depressão ela é um enorme e gritante silêncio, é quando tudo deveria fazer sentido e nada faz, é quando você quer muito algo, mas não consegue fazer. A depressão é um amontoado de nada dentro de você a sensação de que viver e morrer é a mesma coisa e as duas fazem sentido no mesmo contexto.
A depressão é ter que levantar, mas desejar morrer.
Muitas vezes, se está preso nela e na escuridão que ela emana, e se transforma em você.
Eu não sou louca, estou doente mentalmente. Não quero ser vítima, sou vítima de mim mesma e de todos os fantasmas obsoletos que criei dentro da minha mente. É a ilusão de se ter nada quando na verdade se tem tudo.
Minha mente é uma constante arma apontada na minha cabeça, é a loucura de cair no buraco frio e pensar que pode ser Alice, quando na verdade não se chega a lugar nenhum a não ser num imenso e transtornado vazio.
Depressão não te deixar falar, te prende em absolutas que te faz incapaz de dizer. E constatar estar morto em vida.
A honestidade em cada palavra torna-se duvidável quando nem você entende que se pode entender, a confusão descrita em tudo o que é lugar dentro de você.
A depressão não é apenas uma condição metal, é espiritual.
Ela te fez sentir infeliz nas coisas pequenas, e te faz desejar morrer nas grandes, os pensamentos negativos são os únicos que existem e repete um milhão de vezes “não vai dar certo” mesmo quando já deu.
Não existe dois lados: positivo e negativo, existe apenas o que há de pior.
Nada dá certo, tá tudo errado.
Depressão é querer deitar e nunca mais levantar. Não há prazer nem naquilo que deveria te dar prazer, porque o prazer de estar vivo não existe.
Ela destrói até o que deveria ser bom. Nada parece realmente bom, nunca.
Eu não estou louca, não sou louca e jamais serei. Minha mente está erradamente destruída, lutando diariamente pra desejar viver.
Eu não sou louca, minha cabeça e meu espirito estão doentes desse mundo que não entende que eles lutam por sobrevivência. Estou doente de mim mesma.

Eu não sou louca, eu tenho depressão.

7 de março de 2017

A história por trás do dia 8 de Março




As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.


Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt





Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt.

Heloooooo, gente linda da tia Mai. Demorou, mas está saindo um post/resenha/opinião/crítica do Livro Princesa de Papel da autora Erin Watt.

Pra quem tem me acompanhado sabem que sou Feminista e a pouco me tornei ativista da causa, lutando pela igualdade, pelo espaço da mulher, contra a violência e o abuso físico, psicológico e emocional. Há um tempinho tenho lutado contra a romantização de relacionamentos abusivos no mundo literário. Histórias que abordam temas fortes onde a mocinha é abusada, incontáveis vezes, pelo “mocinho” e as autoras tentam justificar os atos do “mocinho” como se fosse amor.

Aqui nesse link você vai poder ver um pouco sobre o último post que fiz explicando o que é abuso.

Antes de entrar em detalhes sobre o Livro da Erin, gostaria de explicar o que é Abuso Sexual de Vulnerável, e como isso é configurado na Lei Brasileira. Lê aí:

“É uma violação dos direitos sexuais, que se traduz pelo abuso e/ou exploração do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes – seja pela força ou outra forma de coerção – , ao envolver meninas e meninos em atividades sexuais impróprias para sua idade cronológica ou a seu desenvolvimento físico, psicológico e social.”

(Lei mais em: Carinho de Verdade )

Segundo a lei Brasileira:

“O §1o do artigo 217 que também é estupro de vulnerável fazer qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc, seja entre heterossexuais ou homossexuais, masculinos ou femininos) “com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

Logo:

“Por fim, e esse é o ponto pertinente à matéria acima, a lei diz que é estupro de vulnerável fazer sexo com quem “por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”. Como com os enfermos, aqui a lei não faz uma lista dos casos possíveis, mas ela diz ao magistrado que ele deve condenar sempre que alguém não está sob controle de suas faculdade mentais, físicas ou emocionais. E alguém que está alcoolizado (ou drogado) certamente não está sob controle de suas faculdade mentais. Para deixar claro: fazer sexo com alguém bêbado (ou drogado) é estupro. Qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc). Essas pessoas, segundo a lei, não sabem o que estão fazendo. Reparem que o suspeito, na matéria acima, diz que a sua vítima consentiu. Isso não importa. Não funciona como defesa porque ela estava embriagada e é o mesmo caso do menor de 14 anos ou do deficiente mental: eles não têm capacidade de consentir. Estão vulneráveis.”



Mai, porque toda essa explicação antes da resenha?

Você verá logo a baixo querido, mas antes de falar sobre o livro, vamos pra sinopse:

“O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo."

Ella Haper é aquele tipo de mocinha – pobre coitada – que perdeu a mãe e não tem dinheiro, e blá, blá, blá. Ai, um dia, magicamente – não, não é feitiço do Harry Potter não – um homem, o Callum Royal – vulgo, pai babaca que deixa os degenerados dos filhos fazerem o que quiserem porque se sente culpado – aparece e salva a Princesa indefesa e leva pro castelo. Aquela baboseira adolescente que todo mundo gosta. A mocinha sozinha, salva pelo macho.

Enfim. Quando ela chega na mansão dos Royal – que sobrenome sem graça – os filhos do Callum não gostam dela. Simples. Porque são mimados, infantis e não tem controle nenhum. Inclusive a construção dos personagens é bem meia-boca. A única coisa que sei é que todos são, aparentemente, bonitos e sarados – homens e mulheres. Como se o livro inteiro fosse um comercial de margarina, da família tradicional brasileira ~irônia mode on hahahahah~.

Os filhos do Callum implicam com a Ella o tempo todo, e durante todo o livro fazem conotações sexuais para ela. Inclusive, em determinada parte do livro, um dos moleques põe a mão no pênis e oferece pra ela chupar com um gesto, totalmente escroto, eu me senti assediada, sério. E pasmem, o episódio passa batido, e a Ella ainda dá uns beijos nesse babaca – claro pra provocar o Reed, por quem ela sente uma atração incontrolável.

Uns 85% do livro, os Royal passam fazendo bulling com a garota e a humilhando, de forma bem escrota e nojenta. A escrita da Erin é bem envolvente, os capítulos te fazem querer ler mais, mas o que eu senti foi apenas nojo por tanta escrotice.

Como se não bastasse, o pai dos moleques, é bem babaca. Eles vão em um passeio de barco e o cara come a namorada na frente dos filhos, tanto é que os pirralho escutam os gemidos e tals. É uma cena bem ridícula, sinceramente.

Durante o livro a Erin tenta justificar as atitudes da família Royal como consequência da morte da mãe deles, mas sinceramente? Não convenceu nenhum pouco. Ficou rasa a explicação, tipo “Ok, preciso justificar eles serem um babacas abusadores”.

Porque sim eles são abusadores, porque bulling é abuso psicológico e emocional. Beijos da autora que foi humilhada no ensino fundamental e médio e hoje tem que tratar depressão, ansiedade, transtorno e crises de pânico.

Antes deu chegar no ápice do livro, deixa eu dar um spoiler: os gêmeos – que não lembro o nome, porque me neguei a decorar – dividem a mesma namorada. Pelo que entendi são Gêmeos Idênticos, bem fácil de ser confundido, e a menina não sabe que eles trocam, fica bem claro no Livro. Tanto é que um deles pede pra Ella não contar pra menina, e ela não conta, acha legal a menina passar por isso.

Agora a cereja do bolo é a seguinte, o que vai fazer vocês entenderem o porque postei aquelas explicações sobre abuso de vulnerável: o Reed, o cara por quem a Ella se apaixonou, supostamente, fez o que fez porque também a amava – porque claro, humilhação é prova de amor. Um dia eles vão pra uma festa e a Ella é drogada com droga injetável, o cara que ela tá saindo faz isso. E como resultado disso ela fica com “tesão” e alguém precisa aliviar ela. Claro, que o Príncipe Herói da história sai correndo e vai fazer sexo oral na mocinha, ou como gostam de escrever nos livros “Chupar a Boceta” da menina, porque ela tá com vontade e só foi drogada e sabe o que tá fazendo.

Gente, se bêbado não sabe o que faz, imagina uma pessoa com droga injetável na corrente sanguínea?
E PASMEM no outro dia o Reed ainda tem a cara de pau de perguntar pra Ella se ela não se sentiu usada! PUTA QUE ME PARIU!

A menina estava D R O G A D A, não conseguia nem ficar em pé e pronunciar uma palavra direito. Vocês já ficaram bêbados? Eu já fiz essa burrice de ficar mal até cair, eu não conseguia caminhar sem sentir minha cabeça pesando, imagina D R O G A D A?

Ella foi E S T U P R A D A e o estuprador teve a cara de pau de perguntar se ela não se sentiu “usada”. A garota não devia nem saber o próprio nome. O que também foi escrito bem meia-boca pela autora, que provavelmente não pesquisou pra saber as reações da droga no corpo do ser humano. Incompetência. A pesquisa é primordial para descrições de casos clínicos.

O pior é a romantização de tudo isso, como se o Reed tivesse direito de fazer o que fez. Pra piorar a situação o cara traí a guria com a madrasta, o que provavelmente será falado, e justificado, no próximo livro.

Então caro leitor, se você leu o livro e acha que há justificativas para as atitudes escrotas dos Royal com a Ella, sugiro que procure ler mais sobre Violência Sexual, a Constituição e pesquisar em que tipos de situações estamos vulneráveis.

Você quer escrever sobre Estupro? Abuso? Violência? ESCREVA. Mas, pelo amor de Deus, tenha o mínimo de bom senso de mostrar ao seu leitor que ele não pode sofrer essas coisas e achar que tudo bem. Violência, seja qual for, NÃO É PROVA DE AMOR. É escroto, é nojento, é violento é errado. Você é responsável SIM, pelo que escreve, assim como as editoras são responsáveis pelo que publicam! Temos o dever de mostrar pra mulheres e homens, que nos leem, que isso não é amor, é doença, é sádico.


Beijos, beijos...da Mai.