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2 de abril de 2017

#NãoSejaUmPorque: você provavelmente já foi.





No dia 31 de Março a Netflix lançou logo pela manhã a série original “13 Reasons Why” em tradução livre “13 Razões do Porque”, baseada no livro de mesmo nome do autor Jay Asher.
A cantora Selena Gomez adquiriu os direitos do livro e em parceria com a Netflix lançou a série.

Desde seu lançamento há menos de 72 horas e série já é um sucesso no mundo inteiro e é o assunto mai comentado nas redes sociais.

A pergunta que não quer calar é “Porque a série é um sucesso tão rápido?”
A resposta vem muito simples: ela é real.





A série acompanha Clay, um jovem menino que recebe um pacote. Ao abrir encontra fitas cassetes, ao ouvi-las descobre que foi gravada pela amiga e paixão de escola Hanna Beker que cometeu suicídio. Nas fitas Hanna narra os 13 porquês que a levaram a tirar a própria vida.
Em uma série que se passa em um ambiente escolar, descobrimos que um "simples brincadeirinha" pode se tornar em uma sucessão de acontecimentos sem controle.



Li o o livro em que a serie se baseia há 7 anos, e o mesmo não mexeu tanto comigo quanto a série. É muito fácil imaginar o personagem e sua dor enquanto estamos lendo, tentamos a todo o custo minimizar aquele desconforto de quem sofre, porém quando os personagens ganham rosto e voz na TV tudo se mostra de outra perspectiva e então a dor do personagem pode ser sentida em seu estado real.

13 Reasons Why fala sobre bullyng, mentiras, machismo, culpabilização da vítima e a banalização da depressão e do suicídio. Além de abordar assuntos como a objetificação do corpo da mulher. É uma SURRA de lições.



Acredito que o grande sucesso da série se reflete em o quanto eles foram reais ao mostrar a história da Hanna e o quanto fofocas e mentiras podem prejudicar alguém. Que existe sim opressão, e que muitas vezes, quem não comete o ato de oprimir, assiste e não faz nada.

É uma analogia a realidade da violência escolar, não só nos EUA, mas no Brasil também, onde crianças matam-se entre si.

Tratando com bastante cuidado a série transmite uma mensagem direta e real de responsabilidade social e empatia. Em 13 horas de série é possível se questionar até quanto uma pessoa pode aguentar ser humilhada, oprimida e tratada como se fosse um animal enjaulado? Até quando a pessoa pode suportar que encham seu copo de água. O que acontece quando ele transborda? Porque adolescentes são tão cruéis por coisas tão fúteis? Qual o problema dessa geração que não consegue sentir empatia?


Os 13 Porquês de Hanna tornam-se, os 13 motivos de muitos outros jovens em nossa sociedade. De forma limpa e honesta a série debate assuntos reais, cotidianos e não discutidos.

Porque a morte é a solução para essas pessoas? Qual é o momento em que você deixa de sentir nada? Qual é o ápice para uma atitude tão radical?

Hanna tentou, mas ninguém quis ouvi-la.

13 Reasons Why faz te questionar: será que já fui um “Porquê?”




#NãoSejaUm Porque





26 de março de 2017

Eu não sou louca, eu tenho depressão.





Eu não sou louca, nem descontrolada e muito menos suicida. Eu tenho depressão, e como se não bastasse ainda há a ansiedade.
Durante muitos anos eu tenho ouvido de pessoas próximas e até de quem se diz amigo “você é louca” “credo pra que tomar tudo isso de remédio?” “remédio é coisa de gente louca.
A depressão ela é um enorme e gritante silêncio, é quando tudo deveria fazer sentido e nada faz, é quando você quer muito algo, mas não consegue fazer. A depressão é um amontoado de nada dentro de você a sensação de que viver e morrer é a mesma coisa e as duas fazem sentido no mesmo contexto.
A depressão é ter que levantar, mas desejar morrer.
Muitas vezes, se está preso nela e na escuridão que ela emana, e se transforma em você.
Eu não sou louca, estou doente mentalmente. Não quero ser vítima, sou vítima de mim mesma e de todos os fantasmas obsoletos que criei dentro da minha mente. É a ilusão de se ter nada quando na verdade se tem tudo.
Minha mente é uma constante arma apontada na minha cabeça, é a loucura de cair no buraco frio e pensar que pode ser Alice, quando na verdade não se chega a lugar nenhum a não ser num imenso e transtornado vazio.
Depressão não te deixar falar, te prende em absolutas que te faz incapaz de dizer. E constatar estar morto em vida.
A honestidade em cada palavra torna-se duvidável quando nem você entende que se pode entender, a confusão descrita em tudo o que é lugar dentro de você.
A depressão não é apenas uma condição metal, é espiritual.
Ela te fez sentir infeliz nas coisas pequenas, e te faz desejar morrer nas grandes, os pensamentos negativos são os únicos que existem e repete um milhão de vezes “não vai dar certo” mesmo quando já deu.
Não existe dois lados: positivo e negativo, existe apenas o que há de pior.
Nada dá certo, tá tudo errado.
Depressão é querer deitar e nunca mais levantar. Não há prazer nem naquilo que deveria te dar prazer, porque o prazer de estar vivo não existe.
Ela destrói até o que deveria ser bom. Nada parece realmente bom, nunca.
Eu não estou louca, não sou louca e jamais serei. Minha mente está erradamente destruída, lutando diariamente pra desejar viver.
Eu não sou louca, minha cabeça e meu espirito estão doentes desse mundo que não entende que eles lutam por sobrevivência. Estou doente de mim mesma.

Eu não sou louca, eu tenho depressão.

7 de março de 2017

A história por trás do dia 8 de Março




As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o "8 de março" foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinas (Unicamp).

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.


Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt





Um olhar sobre: Princesa de Papel, Erin Watt.

Heloooooo, gente linda da tia Mai. Demorou, mas está saindo um post/resenha/opinião/crítica do Livro Princesa de Papel da autora Erin Watt.

Pra quem tem me acompanhado sabem que sou Feminista e a pouco me tornei ativista da causa, lutando pela igualdade, pelo espaço da mulher, contra a violência e o abuso físico, psicológico e emocional. Há um tempinho tenho lutado contra a romantização de relacionamentos abusivos no mundo literário. Histórias que abordam temas fortes onde a mocinha é abusada, incontáveis vezes, pelo “mocinho” e as autoras tentam justificar os atos do “mocinho” como se fosse amor.

Aqui nesse link você vai poder ver um pouco sobre o último post que fiz explicando o que é abuso.

Antes de entrar em detalhes sobre o Livro da Erin, gostaria de explicar o que é Abuso Sexual de Vulnerável, e como isso é configurado na Lei Brasileira. Lê aí:

“É uma violação dos direitos sexuais, que se traduz pelo abuso e/ou exploração do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes – seja pela força ou outra forma de coerção – , ao envolver meninas e meninos em atividades sexuais impróprias para sua idade cronológica ou a seu desenvolvimento físico, psicológico e social.”

(Lei mais em: Carinho de Verdade )

Segundo a lei Brasileira:

“O §1o do artigo 217 que também é estupro de vulnerável fazer qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc, seja entre heterossexuais ou homossexuais, masculinos ou femininos) “com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

Logo:

“Por fim, e esse é o ponto pertinente à matéria acima, a lei diz que é estupro de vulnerável fazer sexo com quem “por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”. Como com os enfermos, aqui a lei não faz uma lista dos casos possíveis, mas ela diz ao magistrado que ele deve condenar sempre que alguém não está sob controle de suas faculdade mentais, físicas ou emocionais. E alguém que está alcoolizado (ou drogado) certamente não está sob controle de suas faculdade mentais. Para deixar claro: fazer sexo com alguém bêbado (ou drogado) é estupro. Qualquer tipo de sexo (vaginal, oral, anal etc). Essas pessoas, segundo a lei, não sabem o que estão fazendo. Reparem que o suspeito, na matéria acima, diz que a sua vítima consentiu. Isso não importa. Não funciona como defesa porque ela estava embriagada e é o mesmo caso do menor de 14 anos ou do deficiente mental: eles não têm capacidade de consentir. Estão vulneráveis.”



Mai, porque toda essa explicação antes da resenha?

Você verá logo a baixo querido, mas antes de falar sobre o livro, vamos pra sinopse:

“O primeiro livro da série The Royals, a nova sensação new adult dos EUA. Ella Harper é uma sobrevivente. Nunca conheceu o pai e passou a vida mudando de cidade em cidade com a mãe, uma mulher instável e problemática, acreditando que em algum momento as duas conseguiriam sair do sufoco. Mas agora a mãe morreu, e Ella está sozinha. É quando aparece Callum Royal, amigo do pai, que promete tirá-la da pobreza. A oferta parece tentadora: uma boa mesada, uma promessa de herança, uma nova vida na mansão dos Royal, onde passará a conviver com os cinco filhos de Callum. Ao chegar ao novo lar, Ella descobre que cada garoto Royal é mais atraente que o outro – e que todos a odeiam com todas as forças. Especialmente Reed, o mais sedutor, e também aquele capaz de baixar na escola o “decreto Royal” – basta uma palavra dele e a vida social da garota estará estilhaçada pelos próximos anos. Reed não a quer ali. Ele diz que ela não pertence ao mundo dos Royal. E ele pode estar certo."

Ella Haper é aquele tipo de mocinha – pobre coitada – que perdeu a mãe e não tem dinheiro, e blá, blá, blá. Ai, um dia, magicamente – não, não é feitiço do Harry Potter não – um homem, o Callum Royal – vulgo, pai babaca que deixa os degenerados dos filhos fazerem o que quiserem porque se sente culpado – aparece e salva a Princesa indefesa e leva pro castelo. Aquela baboseira adolescente que todo mundo gosta. A mocinha sozinha, salva pelo macho.

Enfim. Quando ela chega na mansão dos Royal – que sobrenome sem graça – os filhos do Callum não gostam dela. Simples. Porque são mimados, infantis e não tem controle nenhum. Inclusive a construção dos personagens é bem meia-boca. A única coisa que sei é que todos são, aparentemente, bonitos e sarados – homens e mulheres. Como se o livro inteiro fosse um comercial de margarina, da família tradicional brasileira ~irônia mode on hahahahah~.

Os filhos do Callum implicam com a Ella o tempo todo, e durante todo o livro fazem conotações sexuais para ela. Inclusive, em determinada parte do livro, um dos moleques põe a mão no pênis e oferece pra ela chupar com um gesto, totalmente escroto, eu me senti assediada, sério. E pasmem, o episódio passa batido, e a Ella ainda dá uns beijos nesse babaca – claro pra provocar o Reed, por quem ela sente uma atração incontrolável.

Uns 85% do livro, os Royal passam fazendo bulling com a garota e a humilhando, de forma bem escrota e nojenta. A escrita da Erin é bem envolvente, os capítulos te fazem querer ler mais, mas o que eu senti foi apenas nojo por tanta escrotice.

Como se não bastasse, o pai dos moleques, é bem babaca. Eles vão em um passeio de barco e o cara come a namorada na frente dos filhos, tanto é que os pirralho escutam os gemidos e tals. É uma cena bem ridícula, sinceramente.

Durante o livro a Erin tenta justificar as atitudes da família Royal como consequência da morte da mãe deles, mas sinceramente? Não convenceu nenhum pouco. Ficou rasa a explicação, tipo “Ok, preciso justificar eles serem um babacas abusadores”.

Porque sim eles são abusadores, porque bulling é abuso psicológico e emocional. Beijos da autora que foi humilhada no ensino fundamental e médio e hoje tem que tratar depressão, ansiedade, transtorno e crises de pânico.

Antes deu chegar no ápice do livro, deixa eu dar um spoiler: os gêmeos – que não lembro o nome, porque me neguei a decorar – dividem a mesma namorada. Pelo que entendi são Gêmeos Idênticos, bem fácil de ser confundido, e a menina não sabe que eles trocam, fica bem claro no Livro. Tanto é que um deles pede pra Ella não contar pra menina, e ela não conta, acha legal a menina passar por isso.

Agora a cereja do bolo é a seguinte, o que vai fazer vocês entenderem o porque postei aquelas explicações sobre abuso de vulnerável: o Reed, o cara por quem a Ella se apaixonou, supostamente, fez o que fez porque também a amava – porque claro, humilhação é prova de amor. Um dia eles vão pra uma festa e a Ella é drogada com droga injetável, o cara que ela tá saindo faz isso. E como resultado disso ela fica com “tesão” e alguém precisa aliviar ela. Claro, que o Príncipe Herói da história sai correndo e vai fazer sexo oral na mocinha, ou como gostam de escrever nos livros “Chupar a Boceta” da menina, porque ela tá com vontade e só foi drogada e sabe o que tá fazendo.

Gente, se bêbado não sabe o que faz, imagina uma pessoa com droga injetável na corrente sanguínea?
E PASMEM no outro dia o Reed ainda tem a cara de pau de perguntar pra Ella se ela não se sentiu usada! PUTA QUE ME PARIU!

A menina estava D R O G A D A, não conseguia nem ficar em pé e pronunciar uma palavra direito. Vocês já ficaram bêbados? Eu já fiz essa burrice de ficar mal até cair, eu não conseguia caminhar sem sentir minha cabeça pesando, imagina D R O G A D A?

Ella foi E S T U P R A D A e o estuprador teve a cara de pau de perguntar se ela não se sentiu “usada”. A garota não devia nem saber o próprio nome. O que também foi escrito bem meia-boca pela autora, que provavelmente não pesquisou pra saber as reações da droga no corpo do ser humano. Incompetência. A pesquisa é primordial para descrições de casos clínicos.

O pior é a romantização de tudo isso, como se o Reed tivesse direito de fazer o que fez. Pra piorar a situação o cara traí a guria com a madrasta, o que provavelmente será falado, e justificado, no próximo livro.

Então caro leitor, se você leu o livro e acha que há justificativas para as atitudes escrotas dos Royal com a Ella, sugiro que procure ler mais sobre Violência Sexual, a Constituição e pesquisar em que tipos de situações estamos vulneráveis.

Você quer escrever sobre Estupro? Abuso? Violência? ESCREVA. Mas, pelo amor de Deus, tenha o mínimo de bom senso de mostrar ao seu leitor que ele não pode sofrer essas coisas e achar que tudo bem. Violência, seja qual for, NÃO É PROVA DE AMOR. É escroto, é nojento, é violento é errado. Você é responsável SIM, pelo que escreve, assim como as editoras são responsáveis pelo que publicam! Temos o dever de mostrar pra mulheres e homens, que nos leem, que isso não é amor, é doença, é sádico.


Beijos, beijos...da Mai.

9 de fevereiro de 2017

Precisamos falar sobre a Romantização do Abuso.




Precisamos falar sobre a Romantização do Abuso.

Abuso
substantivo masculino
1. uso incorreto ou ilegítimo; abusão, excesso.
2. uso excessivo ou imoderado de poderes.

O que são pessoas abusivas:
Pessoas abusivas são freqüentemente, elas mesmas, sobreviventes de abuso. O comportamento abusivo pode variar desde o abuso emocional, verbal, até o físico e sexual. Freqüentemente uma pessoa abusiva emocionalmente é também abusiva verbalmente ou uma combinação de todos os tipos acima.

Conceito de abuso:
Abuso é a ação e o efeito de abusar. Este verbo significa fazer um uso incorreto, excessivo, injusto, impróprio ou indevido de algo ou de alguém.
Com origem no latim abūsus, a noção de abuso pode ser aplicada de diferentes maneiras para formar diversos conceitos.
O abuso da autoridade: é aquele que é cometido por um superior quando se excede no exercício de atribuições para com um subordinado.
O abuso da força: tem lugar quando uma força de segurança, como a polícia, recorre à violência excessiva na hora de pôr em prática as suas tarefas. Este termo está associado ao abuso de superioridade.
O abuso de confiança: é uma infidelidade que realiza alguém contra uma pessoa que, por descuido, inexperiência ou carinho, tenha dado crédito ao abusador.
O abuso de direito: é o exercício de um direito é realizado de forma contrária à da sua própria finalidade e que acarreta prejuízos alheios.
O abuso sexual: é um delito que consiste num atentado contra a liberdade sexual de uma pessoa, que não dá o seu consentimento para a prática. Quando usada sozinha, a palavra “abuso” costuma referir-se ao trato desonesto dado a uma pessoa com menor poder, força ou experiência. Por exemplo: “Foi condenado a quatro anos de cadeia por ter abusado de um menor de idade”.

Para entender melhor sobre Abuso, citei acima significados da palavra e o conceito que engloba não apenas a palavra abuso, mas as ações que transformam a palavra em realidade.
Em um mundo onde Literatura está ganhando mais força vemos todos os dias surgirem mais e mais livros de diversos conteúdos, e autores de todos os tipos e gostos. Porém, o que vem ganhando força e dominado o setor Literário, com certeza, são os livros com teor erótico. Após o lançamento de Cinqüenta Tons de Cinza houve um estouro de livros do gênero. Mas, o artigo de hoje não é pra falar sobre livros eróticos, hoje nos vamos falar sobre relacionamentos abusivos e a romantização do mesmo em diversas histórias que estão caindo no gosto do Público e ganhando as prateleiras desse país.
Eu como autora e hoje empresaria do meio literário tenho como dever ler. Ler e observar o que está sendo consumido pelo mercado, e numa dessas leituras comecei a me deparar com autoras, nacionais e internacionais, que romantizam de forma nojenta – sim nojenta – o abuso do homem com a mulher, e a submissão forçada em que ela é submetida. Seja abuso físico, psicológico ou emocional.
Antes de citar a minha lista de livros que tem esse teor, gostaria de afirmar que não é uma critica a integridade ou ao caráter das autoras, mas sim um critica sobre o teor de suas obras e promoção feita pelas editoras.
Toda a autora, seja ela um best-seller ou não, tem uma grande importância em influenciar seus leitores. São formadoras de opinião sim e tem responsabilidade total por aquilo que escrevem assim como as editoras tem responsabilidade sobre aquilo que publicam.
Vivemos hoje em um mundo onde conceitos estão sendo desconstruídos, onde mulheres são vitimas todo o dia de violência, onde a luta feminista vem ganhando força na busca de proteger e garantir direitos básicos as mulheres, onde a objetificação do corpo da mulher não está sendo mais aceita, onde as manas estão nas ruas pra gritar que não vão mais suportar serem violentadas, abusadas e mortas.
Eu, Mai, autora, empresaria, blogueira, ativista, feminista e formadora de opinião não vou aceitar que o mundo Literário, do qual eu vivo e tiro o sustento, permita que a mulher seja abusada, onde Editoras publiquem e enalteçam obras onde o homem trata a mulher como lixo. Eu to cansada. Eu não vou me calar.

Leituras com romantização de relacionamentos abusivos:

Doce Prisão, Jas Silva – Editora Astral.
Autora Nacional, best-seller da Amazon. Estava na lista de mais vendidos entre Novembro e Dezembro de 2016.
O protagonista Marcos é um abusador. Abusa emocionalmente e psicologicamente das irmãs e da Rachel, ex secretária que ele obriga a ficar com ele para manter o pai dela vivo. Onde ele abusa sexualmente dela. Ela diz “NÃO” e ele insiste em transar com ela em diversas vezes no livro. Caça ela pelo país até acha-la. Subjulga, humilha, acusa e abusa dela durante todo o livro. A personagem quase morre de tanto stress. Durante toda a leitura a autora tentou justificar o abuso como um ato de amor, de um homem desesperado. Não é. Marcos é abusivo, controlador. Um psicopata. Não confundam abuso como prova de amor, não é. É violência.

Princesa de Papel, Erin Watt – Editora Essência.
Para falar sobre o livro vou deixar aqui um trecho da Resenha feita pela Nanah Zoti no Blog dela, pra mim a melhor resenha sobre o livro.
“Mais pra frente a protagonista é drogada com LSD, o responsável por isso não foi levado a polícia, mas sim punido de uma forma bem cretina na frente da escola. E a situação mais grotesca está por vir quando os irmãos Royale salvam Ella, mas ao chegar em casa com ela - sem terem ido a um hospital - discutem quem irá "aliviar" a mocinha que está com tesão pra porra graças ao LSD que ingeriu. Acha que parou por aí? Não, claro que não! O mocinho da história fica responsável por aliviar a mocinha, enquanto ela estava obviamente drogada e sem ter noção alguma dos seus atos.
Agora se isso não é uma romantização escrota de violência sexual, eu não sei o que é. Nanáh, você não esta exagerando? Me diga caro leitor, qual é a diferença de um ser filho da puta que transa com uma mulher que está bêbada, enquanto ele está sóbrio pra isso que eu acabei de contar?”

Belo Desastre e Desastre Iminente, Jemie McGuire – Verus.
Tipica historia sobre o badboy e a mocinha. Travis, o macho alfa, e Abby a mocinha imatura, eram tudo pra ser o casal perfeito, se o Tavis não fosse um machista, controlador que o livro inteiro bate em todo mundo por ciúmes, invade o espaço pessoal da Abby, abraça, beija, toca ela sem permissão. Abby passa o livro inteiro chorando, e fazendo de tudo pra não irritar o Travis. O “mocinho” passa o livro inteiro demonstrando um sentimento de posse e uma obsessão pela personagem principal. Durante toda a trama o relacionamento deles é de tensão.

Aqui em baixo vou deixar uma listinha de livros indicados pelos meus parceiros, lidos e identificados como relacionamento abusivo, alguns já li outros vou ler e formar opinião.

After – Anna Toddy (li o primeiro e parei)
Série Crossfire – Sylvia Day (Li até o terceiro e parei)
O Fotografo – Jessica Milato (ainda não li, mas foi indicado por uma parceira, e depois li resenhas, vou fazer a leitura para formar opinião.
O professor, livro 2 - Tatiana Amaral (já li)
Função Ceo – Tatiana Amaral (li a serie)

Vamos abrir uma discussão? Vou deixar aqui minha opinião sobre Cinqüenta Tons de Cinza e se você não tiver a mesma deixe no comentário a sua. Assim vamos abrir uma discussão e em breve teremos um artigo sobre o Livro. Achei importante abrir essa discussão, pois, percebi que muitos têm opiniões contrárias sobre o livro.

Cinqüenta Tons de Cinza, EL James – Intrínseca.
Para muitos Christian Grey é um cara, fodidamente, perturbado e tudo o que ele faz se justifica pelos abusos que ele sofreu na infância. O problema não está no Christian ter problemas psicológicos, o problema está em romantizar e transformar ele em um herói.
Christian Grey é abusivo, violento e controlador. Ele não apenas quer uma submissa entre quatro paredes, ele quer uma submissa na vida. E embora durante o processo do livro ele lute contra todos os fantasmas e tente melhorar e mudar através de terapia, ele continua sendo um sádico abusador. Anastasia é abusada por ele, controlada e tudo isso é justificado e romantizado porque ele teve problemas na infância. Não justifica. Não é amor o que ele sente pela Ana, é obsessão. “Mas, Mai você já leu e vai assistir ao filme”. Sim, pros dois. Faz parte do meu trabalho não apenas ler como ir assistir no cinema os filmes da Franquia, eu não posso opinar sobre se eu não assistir. E para esclarecer não estou falando da pratica de BDSM que é consensual, estou criticando a forma como Christian é como pessoa e as atitudes que ele tem em função da Ana. Ele vende o carro dela e dá um Audi porque se sente no direito. Ele surta porque ela decidiu viajar e ver a mãe e não avisou ele, ai ele simplesmente vai atrás dela porque é assim que ele quer, ele não respeita o fato de que ela quis se afastar. Ele simplesmente compra um notebook pra ela e pega o da Ana SEM PEDIR PERMISSÃO. Christian faz o que faz e não pede em nenhum momento para a Ana, ele faz porque se acha no direito de fazer, alem de tudo isso, Grey ainda compra a Editora na qual a Ana trabalha pra manter ela, supostamente, segura.



Vou deixar vocês com esses livros que pra mim foram os mais chocantes e que romantizam esse tipo de relacionamento, se você já leu algum que te chocou dessa forma, deixa o nome do mesmo nos comentários!